Autor: CASTELO BRANCO. (Camilo)
Idioma: Português / Portuguese
Por Camillo Castello Branco. Em Casa da Viúva Moré - Editora. Porto. 1862.
2 Volumes encadernados num de 18x12 cm. Com 213; 197 págs. Encadernação do século XX com lombada e cantos em pele, com nervos e ferros a ouro na lombada. Corte das folhas mosqueado e folhas de guarda decorativas.
Rara primeira edição. Não existe exemplares na Porbase desta edição.
A obra nasceu da experiência de Camilo na Cadeia da Relação do Porto, onde esteve preso com Ana Plácido. O livro combina a experiência autobiográfica do escritor com histórias e retratos de outros presos, incluindo a célebre figura de José do Telhado. A Imprensa Nacional considera-o um retrato das condições de vida na cadeia e da justiça oitocentista.
Camilo e Ana Plácido viveram um amor proibido e escandaloso para a sociedade oitocentista. Após fugirem à justiça pelas terras do Norte, acabaram capturados. Na prisão, Camilo escreveu esta narrativa em apenas quarenta dias, movido pela urgência de obter rendimentos para a sua subsistência e da sua família. Longe de ser apenas um diário pessoal, a obra funciona como um documento histórico e humano duríssimo. Camilo relata na primeira pessoa a miséria, a sobrelotação e as condições desumanas das celas da época. No cárcere, o escritor conviveu com criminosos célebres, destacando-se o famoso salteador Zé do Telhado, de quem se tornou amigo e cuja história imortalizou nas páginas deste livro. Relata também episódios curiosos, como a visita do próprio rei D. Pedro V à prisão.
Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco (Lisboa, 1825 - São Miguel de Seide, 1890) é um dos maiores romancistas e novelistas do século XIX e autor de diversas obras de erudição, crítica literária, poesia, teatro e polémica, deixando um vasto epistolário. O seu estilo caracteriza-se por uma prosa muito rica, tendo como influências os grandes escritores portugueses do séc. XVI e XVII. Situa-se numa linha da prosa portuguesa que influenciou escritores como Agustina Bessa Luís. Teve uma vida bastante dificultada pelas complexidades da época para os autores, mas doi o primeiro escritor português a viver dos seus escritos literários e jornalísticos. Suicidou-se em 1 de Junho de 1890 após começar a sofrer de cegueira.