Autor: CASTELO BRANCO. (Camilo)
Idioma: Português / Portuguese
[Por] Camillo Castello Branco. Livraria de Campos Junior - Editor. Lisboa. 1869.
De 18,5x13 cm. Com 256, [ii] págs. Encadernação com lombada em pele com ferros a ouro. Corte das folhas mosqueados.
Muito rara primeira edição, impressa na Imprensa de Sousa Neves. Conheceu edições posteriores inclusivo revista e corrigida pelo autor.
O título refere-se aos chamados brasileiros de torna-viagem portugueses que emigravam para o Brasil, enriqueciam e regressavam a Portugal. A riqueza adquirida no Brasil podia proporcionar-lhes prestígio e ascensão social, mas também era alvo de crítica e de alguma ironia por parte de Camilo. A obra combina, assim, romance, drama e crítica social, características muito presentes na literatura camiliana.
A história gira em torno de Ângela de Noronha Barbosa, uma jovem fidalga de famílias tradicionais mas empobrecidas, que está profundamente apaixonada por Francisco José da Costa, um plebeu pobre. Devido às conveniências sociais e à pressão familiar para recuperar o património financeiro, Ângela é forçada a aceitar o casamento com um 'brasileiro' abastado. O grande drama e motor da narrativa acontecem quando a jovem decide vender em segredo as joias (os brilhantes) que o noivo rico lhe oferece como prenda de noivado. O seu objetivo é usar esse dinheiro para financiar secretamente o curso de Medicina do homem que ela realmente ama.
Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco (Lisboa, 1825 - São Miguel de Seide, 1890) é um dos maiores romancistas e novelistas do século XIX e autor de diversas obras de erudição, crítica literária, poesia, teatro e polémica, deixando um vasto epistolário. O seu estilo caracteriza-se por uma prosa muito rica, tendo como influências os grandes escritores portugueses do séc. XVI e XVII. Situa-se numa linha da prosa portuguesa que influenciou escritores como Agustina Bessa Luís. Teve uma vida bastante dificultada pelas complexidades da época para os autores, mas doi o primeiro escritor português a viver dos seus escritos literários e jornalísticos. Suicidou-se em 1 de Junho de 1890 após começar a sofrer de cegueira.
Ref.:
-Inocêncio IX, 10.
-Camiliana. Soares & Mendonça, 1968, n.º 847, pp. 113.